Reflexões pastorais sobre o livro do profeta Habacuque – Parte 1

Apesar dos modismos dos “cripto-liberais” de nossa época – que insistem em afastar Deus dos acontecimentos do mundo –, quem é cristão de verdade reconhece que a Bíblia ensina o governo de divino sobre a História. Para nós presbiterianos, isso é um aspecto central da fé que professamos. Todavia, uma coisa é saber que a Bíblia ensina a soberania abrangente de Deus. Outra é relacionar essa verdade com os fatos do dia a dia.

Eu aprecio a maneira como Habacuque lidou com essa questão. O profeta, obviamente, reconhecia Yahveh, o Deus de Israel, como o Rei de toda terra: nada acontecia a par da Sua vontade. Exatamente por ter esta convicção, em seu pequeno livro, o profeta registra um momento de crise pessoal; o livro é, na verdade, um debate do profeta com o Todo-Poderoso. Façamos algumas considerações a partir do trecho compreendido entre os versos 1.1 e 2.4.

“ATÉ QUANDO, SENHOR, CLAMAREI EU, E TU NÃO ME ESCUTARÁS?” (Hb 1.2)

Ao contemplar as circunstâncias de seu tempo, Habacuque se apresenta diante de Deus indignado: “Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! E não salvarás? Por que me mostras a iniquidade e me fazes ver a opressão? Pois a destruição e a violência estão diante de mim” (Hb 1.2-3a). Em seus dias, a nação judaica se tornara espiritualmente rebelde e moralmente corrompida. O profeta não conseguia entender a aparente indiferença de Deus diante dessa situação. Então, ele questiona: “Senhor, sei que és o Deus soberano, e és justo e bom… Por que, então, permites que a nação mergulhe neste estado de degeneração? Onde está a tua intervenção?”

Sejamos honestos: quem nunca se viu lutando com afetos semelhantes? Olhamos ao nosso redor, e nos indignamos com o mal, com a violência, com a desonestidade… Eventualmente, o pecado dos outros nos atinge de cheio, e então essa sensação de indignação se potencializa! Nada mais natural, em momentos assim, que o cristão verdadeiro se volte para Deus em busca de respostas!

Muitas vezes lidamos mal com a soberania de Deus. Criamos o tabu da resignação, interpretando nossa dor como revolta contra Deus. Contudo, é exatamente a FÉ EM UM DEUS SOBERANO que legitima nossa luta em oração por respostas em tempos de crise.

Habacuque nos ensina, portanto, que a reação de indignação diante do mal não é incompatível com a fé em um Deus soberano. É legítimo ao crente se colocar na graciosa presença de seu Deus para externalizar sua angústia. É legítimo clamar por respostas e, mais que isso, pela divina intervenção! Essa reação faz todo sentido na vida de quem crê em um Deus soberano e onipotente.

Mas o ensino de Habacuque sobre a soberania de Deus não para por aí. A indignação, ainda que legítima, não pode ser nossa reação final quando refletimos sobre a relação entre a soberania de Deus e o mal. Há outras verdades preciosas que devemos aprender.

davi

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