Reflexões pastorais sobre o livro do profeta Habacuque – Parte 2

“OLHAI, MARAVILHAI-VOS, DESVANECEI…” (Hb 1.5)

Como vimos, nos dias de Habacuque, a nação de Judá vivia um momento de caos espiritual. O profeta se indignava ao contemplar o mal: a iniquidade e a injustiça pareciam “reinar”. Temente a Deus, ele então se volta ao Senhor e clama por sua intervenção: “Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás?” (1.2). Habacuque sabia que o Soberano, justo e bom como é, não permitiria a perpetuação daquele estado de coisas.

A resposta de Deus à súplica de Habacuque é registrada em 1.5-11. Em visão, Deus revela ao seu profeta que os caldeus, uma nação amarga e impetuosa, pavorosa e terrível, seria suscitada por ele mesmo para disciplinar os judeus. O povo judeu seria subjugado e desterrado pelos babilônicos! Obviamente, não era esta a resposta que Habacuque esperava à sua “queixa”. Em sua réplica à resposta de Deus, questiona: “por que, pois, toleras os que procedem perfidamente e te calas quando o perverso devora aquele que é mais justo do que ele?” (1.13). Habacuque não entende porque Deus trata o problema do mal em Judá enviando sobre a nação um povo, aos seus olhos, ainda mais violento e cruel. A reação de Habacuque é de perplexidade: “Tenho ouvido, ó Senhor, as tuas declarações, e me sinto alarmado.” (3.2).

Esses “debates” entre Habacuque e Deus nos ensinam algumas lições preciosas sobre a relação entre a soberania divina e a malignidade humana. Em primeiro lugar, podemos clamar a Deus com toda convicção diante do mal, pois Ele responderá! Deus não ficará indiferente diante da maldade ou do sofrimento; sua resposta virá no devido tempo. Em segundo lugar, é importante que nos coloquemos em nosso devido lugar: é presunção orgulhosa imaginarmos que não somos parte do problema do mal presente no mundo. Cada um de nós é pecador, e não devemos nos considerar superiores aos outros. É importante lembrar: Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes (Tg 4.6).

Por fim, a lição mais importante: prepare-se para ser surpreendido por Deus! Diante de adversidades de qualquer natureza (opressão, injustiça, enfermidade, carências…) devemos clamar ao nosso Salvador, pois é mesmo dele que sempre procede o livramento. Contudo, normalmente a resposta de Deus às nossas “queixas” não é exatamente a que esperávamos! Por nos amar, Deus não nos dá o que queremos, mas responde nossas preces sempre com aquilo que PRECISAMOS! Se, por um lado, nós somos míopes diante da realidade da História, Deus tem todas as coisas patentes diante dele. A direção que Ele dá às nossas adversidades pode nos deixar completamente perplexos, pois parecerá a nós, num primeiro momento, uma solução indesejada e amarga. No fim, contudo, revelar-se-á boa, perfeita e agradável.

O que fazer em momentos assim, portanto? A resposta é: Confie! Coloque-se na “torre de vigia” e renove sua confiança em Deus, mesmo que nada pareça fazer sentido… O justo viverá pela sua fé! (Hb 2.4). Mas o que de fato significa “viver pela fé”?

“O JUSTO VIVERÁ PELA SUA FÉ” (Hb 2.4)

            É comum as pessoas se angustiarem ao sentir que Deus está “demorando” em responder suas orações. O que elas não entendem é que muitas vezes Deus JÁ LHES RESPONDEU; o problema é que a reposta divina não era a que essas pessoas esperavam… embora Deus lhes tenha dado exatamente o que PRECISAVAM! Nosso Pai age assim justamente com aqueles a quem ama!

Essa experiência foi vivenciada por Habacuque. Indignado com a maldade de seus contemporâneos, o profeta clama por uma intervenção divina. A resposta de Deus, contudo, deixa o profeta perplexo: o Senhor trataria a iniquidade de Judá enviando os babilônicos para dominar o povo e leva-lo cativo!

Depois de relutar contra a resposta de Deus (1.12-17), Habacuque muda sua postura. Ele decide se calar e colocar-se na “torre de vigia” (2.1). Deus, então, revela ao profeta aquela que talvez seja a mais importante lição quando refletimos sobre o delicado relacionamento entre a soberania divina e o mal que há no mundo: “Eis o soberbo! Sua alma não é reta nele; MAS O JUSTO VIVERÁ PELA SUA FÉ!” (Hb 2.4).

Viver pela fé não significa cultivar “pensamentos positivos” ou “canalizar bons fluídos” quando as coisas vão mal; ou enfrentar crises com atitudes otimistas ingênuas do tipo “no final tudo vai dar certo”… Viver pela fé também NÃO É acreditar muito que Deus vai resolver nosso problema, nos dando dinheiro, saúde ou qualquer outra coisa que sentimos precisar. O compromisso do nosso Pai Bondoso não é com nosso bem-estar. Nosso Senhor, diz a Escritura, faz todas as coisas convergirem para o nosso bem, isto é, nossa eterna salvação. E essa é a nossa verdadeira necessidade!

Deus revelou a Habacuque que os caldeus devastariam seu povo. Embora saibamos que Deus trouxe o povo de volta do cativeiro, não há no livro de Habacuque qualquer promessa de restauração. Contudo, o profeta termina seu escrito com uma das orações de louvor mais lindas da Bíblia: “Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide… todavia, eu me alegro no Senhor, exulto no Deus da minha salvação.” (3.17-18).

Viver pela fé é desistir de nossa soberba e aprender a confiar em Deus! Não em milagres, curas ou “bênçãos”… em Deus! É saber que a graça de Deus é o que nos basta. É crer, apesar das circunstâncias, que Deus SEMPRE responde nossas súplicas, promovendo nosso aperfeiçoamento espiritual, mesmo quando, num primeiro momento, isso não fique claro para nós. É manter viva nossa esperança em Jesus Cristo, em quem Deus destruiu o poder do pecado, da morte e do inferno, provendo ao seu povo amado vida eterna e abundante!

Quem vive assim, vive pela fé: desfruta plena satisfação em Deus e exulta em sua graça salvadora. Encontrou a fonte da alegria incessante e da esperança firme! Que Deus lhe ensine a viver pela fé! Amém.

davi

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