A voz profética da Igreja – Parte II

Para entendermos a verdadeira voz profética da igreja, vamos começar observando qual era o significado da palavra profética no Antigo Testamento. Vemos em Deuteronômio 13:1-4:

Quando profeta ou sonhador se levantar no meio de ti e te anunciar um sinal ou prodígio, 2 e suceder o tal sinal ou prodígio de que te houver falado, e disser: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los,  3 não ouvirás as palavras desse profeta ou sonhador; porquanto o SENHOR, vosso Deus, vos prova, para saber se amais o SENHOR, vosso Deus, de todo o vosso coração e de toda a vossa alma.  4 Andareis após o SENHOR, vosso Deus, e a ele temereis; guardareis os seus mandamentos, ouvireis a sua voz, a ele servireis e a ele vos achegareis.

A função dos profetas no Antigo Testamento era trazer uma voz de Deus para as pessoas de maneira que elas ouçam a Deus, temam a Ele e se aproximem dele. Aquele que não cumpre essa função é um falso profeta. Não importa o tamanho do sinal ou milagre realizado, não importa a precisão com que tenha se cumprido um anúncio de eventos futuros. Se o profeta não proporciona a seus ouvintes um relacionamento mais próximo com Deus, mas sim os afasta dele, é um falso profeta.

Temos aí então os pontos básicos: 1) A profecia tem sua origem em Deus, é uma palavra que vem diretamente dele; 2) Os profetas são mediadores dessa comunicação divina; 3) O conteúdo da mensagem profética tem a ver com a aliança de Deus com seu povo. A mensagem profética não tem a ver com especulações sobre um Deus abstrato ou distante, mas é a comunicação de um Deus que de fato entrou em um relacionamento dinâmico com o povo. Um Deus que invade a história humana e atua concretamente nela.

Se a palavra profética diz respeito à manutenção da aliança entre Deus e o homem, vemos que ela necessariamente tem dois polos: ela promove o que é bom, o que afirma e promove a aliança, e combate e condena o que é mal, o que prejudica a aliança e afasta Deus e homens. A palavra profética, portanto, sempre tem esses componentes negativo e positivo. Existe sempre afirmação e negação.

A afirmação profética é a do “sim” de Deus. É afirmação da graça divina, de suas promessas de misericórdia, de restauração, de libertação, de salvação e bênçãos futuras garantidas pelo seu amor e propósitos imutáveis. É uma palavra da manifestação graciosa de Deus em favor de seu povo e muitas vezes sobre o mundo.

Para muitos na igreja evangélica hoje a palavra profética se limita a esses anúncios de bênçãos. E o pior é que não apenas essas pessoas afirmam os aspectos positivos da profecia bíblica mas apresentam uma cópia imperfeita dela, retirando os anúncios de salvação do seu contexto e os transformando em uma mensagem de pensamento positivo e autoajuda transvestida de mensagem espiritual. É uma espécie de “super autoajuda”, porque está focada única e exclusivamente nas aspirações – não raras vezes mesquinhas e egoístas – das pessoas e ainda promete a realização destas aspirações por parte de um poder sobrenatural infinito, um Deus cujo único propósito é turbinar nossas realizações pessoais com seus superpoderes.

O aspecto positivo da palavra profética é positivo não porque é uma mensagem sobre nossas futuras realizações, mas porque é uma palavra a respeito de Deus, a respeito de seus propósitos, de suas ações graciosas e das transformações que Ele promete realizar para trazer um mundo caído de volta a seus eixos, de volta à forma que as coisas deveriam de fato tomar. É uma palavra que energiza o povo de Deus e os move à ação construtiva porque mostra que os propósitos de Deus culminarão em sua vitória final sobre todas as forças destrutivas do mal.

Mas ao ser uma mensagem a respeito de Deus é impossível que a palavra profética não aborde também os pontos do relacionamento entre Deus e o homem que se encontram distorcidos. Não se pode falar da aliança divina ou dos propósitos restaurativos de Deus sem se abordar o problema da maldade e rebeldia humanas. A esse polo negativo da profecia Bíblica nos voltaremos na próxima postagem.

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A voz profética da Igreja – Parte I

“O Profeta Isaías”, por Rafael (1511)

Eu acredito que a igreja tem uma voz e uma palavra profética para hoje. Eu creio por uma razão muito simples. Cristãos confessam que Jesus cristo veio ao mundo exercendo as missões de profeta, sacerdote e rei. Cremos que Jesus é o rei davídico, que cumpre a função de rei. Jesus foi o perfeito sacerdote (e sacrifício) por meio dos quais Deus purifica o pecado do mundo. Cremos também que Jesus foi o profeta por quem Deus proclamou sua verdade ao mundo.

Com isso em mente, lemos em I Pedro 2:9:

9 Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;

As funções atribuídas a Jesus pela Bíblia e pela tradição cristã aparecem nesse texto como elementos característicos da Igreja. A igreja é um corpo real, sacerdotal e profético que imita a Cristo dá seguimento à sua obra. A Bíblia ensina que a igreja é o corpo de Cristo e assim temos a missão de ser e transmitir para o mundo tudo o que Jesus fez e é. O apóstolo Paulo vai longe a ponto de descrever seu ministério como uma continuidade dos sofrimentos de Cristo (Col. 1:24). Como corpo de Cristo, somos os pés, as mãos, os membros por meio dos quais Jesus executa sua obra hoje.

Se como sacerdote Jesus lidou com os pecados do mundo e como rei apresenta o padrão real de governo do mundo segundo a vontade de Deus, como profeta Jesus anuncia a pura e perfeita verdade de Deus. Se realmente somos o corpo de Cristo hoje, temos a prerrogativa de continuar a obra dele em todas essas esferas. Como profetas, nossa obrigação é a de anunciar a verdade do Reino de Deus a um mundo carente dela.

Entretanto, a igreja hoje comete dois erros básicos ao tentar entender sua missão profética. Para entender o sentido dessa missão é necessário corrigir esses dois erros. O primeiro, prevalente nas igrejas evangélicas hoje em dia, é o de identificar a voz profética da igreja com um anúncio de bênçãos extraordinárias a serem recebidas da parte de Deus: saúde, prosperidade financeira, paz familiar, etc.

O segundo, é o da associação da palavra profética exclusivamente à crítica social. Para muitos, a voz profética da igreja deve ser identificada com a denúncia de mazelas sociais.

Na realidade, ambas as perspectivas existem porque, de fato, encontramos nas palavras dos profetas na Bíblia tanto anúncios de bênçãos e prosperidade futuras (muitas vezes entendidos completamente fora de contexto) quanto fortíssimas críticas sociais. Devemos, inclusive, reconhecer que estas críticas são, infelizmente, muito negligenciadas pela igreja em geral.

Entretanto, as duas perspectivas são limitadoras, e qualquer um desses extremos pode gerar uma palavra distorcida que é apenas uma representação parcial e distante da verdadeira palavra profética.

Para recuperar a verdadeira voz profética da igreja, é preciso seguir alguns passos. É justamente isto que abordaremos em nossas próximas postagens.

Tarja para o Blog - Rodrigo

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As sete palavras da cruz: devocionais de Páscoa para a família

A Páscoa está às portas e, para cristãos em todo o mundo, é sempre uma oportunidade de reafirmar nossas convicções nos benefícios trazidos a nós pela cruz de Cristo e de nos alegrarmos na esperança que o Salvador ressurreto traz às nossas almas que, de outra forma, estariam vagando perdidas como ovelhas que não têm pastor. A semana que antecede o domingo da ressurreição é especial e, tanto individualmente como em família, podemos ver grande utilidade em meditarmos sobre as palavras ditas na cruz. Tudo que o nosso mestre falou é importante, mas não muitas vezes estudamos com mais detalhe aquilo que foi dito na sua pior hora, na hora de maior dor física mas, principalmente, espiritual.

Na sua morte, Jesus falou sete vezes: três vezes nas primeiras três horas da crucificação e, as demais, ditas já no momento final de sua agonia. Gostaria de sugerir algumas formas de se trabalhar cada palavra de forma a ser usada com a família, especialmente. Mas, indivíduos também podem usar o esquema em seus momentos de devoção pessoal. Como são sete palavras, o ideal será começar na segunda-feira que antecede ao domingo da ressurreição. Cada dia, uma palavra é apresentada e refletida em família. Vejamos, então:

1. Palavra de compaixão: Jesus sempre se preocupou com as pessoas de forma integral. Jesus estava sendo crucificado por nós, não só para nos livrar da culpa do pecado, mas para que toda a nossa vida estivesse sob seu amor e cuidado. Jesus não se esqueceu de que Maria, sua mãe, precisava de consolo e cuidado e deixou-a sob a proteção de João, seu discípulo. Que exemplo lindo de um filho que honrou sua mãe até na morte. “Mulher, aí está o teu filho. Filho, aí está a tua mãe” (Jo. 19:26-27). Nosso mestre nos dá o exemplo claro: mesmo na hora mais difícil, é preciso pensar nos outros, cuidar, proteger os mais necessitados. Será que algum momento temos pensado mais em nossas próprias dificuldades e menos nas pessoas ao nosso redor?

2. Palavra de perdão: Apesar de ser Deus, santo, perfeito e não merecedor daquela morte, Jesus pede a Deus que perdoe aqueles que o crucificaram. “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem” (Lc. 23:34). Cristo pede perdão para os ignorantes que o mataram. Nós, seguindo o seu exemplo, devemos perdoar e ser benevolentes para com os outros. Retribuir o mal com o bem. Que tarefa difícil! Mas se quisermos ser verdadeiros discípulos de Cristo, esta precisa ser nossa atitude diária e somente o Espírito Santo poderá operar isso em nossos corações.

3. Palavra de Certeza: O ladrão ao lado de Cristo foi, certamente, um ser privilegiado. Recebeu graça abundante na sua pior hora, recebeu salvação e a certeza de que estaria no Paraíso com seu Senhor. Algo disse àquele homem que o Cristo pendurado no madeiro não era um homem comum. Em um momento de lucidez profunda ele disse: “Lembra-te de mim quando entrares no paraíso”. A resposta de Jesus foi condizente com sua atitude sempre firme inspiradora de confiança: “Eu lhe garanto: hoje você estará comigo no paraíso” (Lc. 23:43). Essa palavra de certeza, tão preciosa para aquele ladrão, ecoa hoje para todos os santos que depositam sua confiança no Nazareno. A atitude de Cristo, sempre cercado de pecadores, daqueles mais desprezados pela sociedade, sempre amando os mal amados, é um desafio diário para todos nós. A salvação eficaz de Cristo foi poderosa para garantir a entrada nos portais celestes para aquele ladrão tanto quanto para garantir a nossa. Por que nos acharmos melhores ou mais dignos do que qualquer outro ser humano?

4. Palavra de angústia: para que nossa união com Deus pudesse ser reatada, Cristo suportou a maior dor de todas: o abandono e a ausência do Pai. O dia se tornou em trevas e, naquele momento de completa solidão, Jesus bebeu toda a amargura de ficar separado de Deus. “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mt. 27: 43). Em nossa caminhada como seguidores de Cristo, não poucas vezes nos sentimos desamparados e sozinhos, mas é importante nos lembrarmos sempre que nunca, nunca estamos sozinhos. Aquele que suportou por nós a morte de cruz, o fez para que jamais fôssemos abandonados por Deus. Em nossos momentos de angústia, nos apeguemos àquele que não apenas sofreu por nós, mas sofre conosco em cada uma de nossas tribulações.

5. Palavra de sofrimento: “Tenho sede” (Jo. 19:28). Jesus era completamente Deus e completamente humano. Como humano, ele teve sede e muitos outros incômodos físicos, mas nos garantiu que aquele que cresse nele jamais teria sede! Jesus sabe a nossa estrutura, sabe que somos pó. “Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas… Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (Hb. 4:15-16). Nossas crianças podem se alegrar ao constatarem que Jesus se importa com cada uma de suas dificuldades e dores.

6. Palavra de vitória: “Está consumado” (Jo. 19:30) foram as penúltimas palavras de Cristo. Naquele momento, Jesus sabia que sua hora era chegada e que aquele momento consumaria todo o plano de salvação preparado por Deus antes da fundação do mundo. Neste momento, nossa vitória estava sendo garantida por ele!

7.  Palavra de celebração: “Pai, nas tuas mãos, eu entrego o meu espírito” (Lc. 23:46). Jesus depositou sua confiança em Deus. A vida para ele não acabava ali e ele sabia disto. Conscientes de tal verdade, podemos nos entregar totalmente a Deus. Nossos problemas e temores, os mínimos detalhes da nossa vida estão seguros nas mãos de Deus. Podemos conversar com nossos filhos sobre este momento final da morte de Cristo, que não deixa de ser um momento de celebração, apesar da tristeza de sua morte, pela confiança que Jesus mesmo tinha que aquilo não era o fim.

A Páscoa é o momento de reafirmarmos e consolidarmos em família os benefícios da cruz de Cristo e, acima de tudo, a esperança que temos nele. Assim como fomos crucificados na cruz com Cristo, vivamos uma vida digna de nosso mestre, seguindo seus passos e esperando ansiosamente pelo dia em que os mortos ressuscitarão com ele e todos os santos se unirão para desfrutar eternamente da presença acolhedora e inigualável do Cordeiro de Deus.

Boa Páscoa!

Texto baseado em devocionais da Igreja Batista do Morumbi

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Mal em Bem

É desanimadora a sensação de atravessar períodos de tormentas em nossa vida
sem vislumbrar o raiar do sol no horizonte. Dificuldades financeiras, enfermidades na

família, lutas em nossos relacionamentos… em tempos de aflição, a alegria parece
fugir e nossa força vai se esvaindo pelos dedos como areia! Nestes cenários, o que
poderia aliviar nosso coração e nos dar esperança?
Certo adolescente parecia ter uma vida promissora pela frente. Era filho de um
homem próspero, que não escondia de seus onze irmãos a predileção por ele. A inveja
causada por esta situação, contudo, mudou radicalmente a história deste jovem:
maldosamente, os irmãos simularam sua morte e o exilaram para uma terra distante.
Lá, tornou-se mordomo de um comandante militar, que se apegou a ele e confiou ao
jovem todos os seus bens. Contudo, mais um revés: a mulher deste homem o cobiçou
e, diante da negativa do jovem em consentir adulterar com ela, uma nova traição
maldosa fez com que o moço fosse parar na cadeia. Ali, passou terríveis catorze anos!
Você pode imaginar os pensamentos negros que invadiram sua mente? “Por quê? Eu
tinha tudo para ter uma vida feliz? Meu pai me amava, eu era rico… Eu sempre fui
temente a Deus… Será que morrerei nesta masmorra imunda? Será que nunca cessará
em minha vida a tribulação?”
Se tais pensamentos invadiram a mente de José em seu tempo na prisão no
Egito, não sabemos. O que a Bíblia registra é que este jovem parecia inabalável em sua
fé. Mesmo na prisão, destacou-se por sua excelência: o carcereiro lhe confiou a
administração carcerária. Quando Deus lhe deu um dom, usou: interpretou os sonhos
do copeiro e do padeiro do faraó o que causou, eventualmente, a oportunidade de
estar diante do próprio faraó. O final da história, todos sabem: José tornou-se
governador de toda terra do Egito, sendo um instrumento nas mãos de Deus para
provisionar alimentos em tempos de escassez, de modo que não só seus familiares,
mas todo o Oriente Próximo – pessoas e animais – fossem conservados com vida.
José nos ensina a contemplar as adversidades a partir de um novo ângulo:
quando seu pai morreu, seus irmãos imaginaram que ele se vingaria. Suas palavras nos
mostram como um homem que crê no Eterno Deus e na sua providência deve
interpretar os eventos da vida: “Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém
Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve muita gente
com vida.” (Gn 50.20).
O que trazer a mente, para nosso consolo e esperança, em tempos de
adversidade? Nada pode superar esta verdade: nosso Deus Soberano, cheio de graça e
amor, orquestra cada evento de nossa existência de modo que o mal se converte em
bem, para nossa alegria e glória de seu excelso nome. Perseveremos com fé, certos
que sua presença nos acompanhará e ele fará brilhar o sol após a tormenta.

davi

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UM FELIZ ANO NOVO?

Sempre que chegamos ao fim de um ano, olhamos para traz para avaliar o que
passou e almejar tempos melhores. É por isso que nos saudamos desejando um “feliz
ano novo”! Em seu bojo, a saudação traz a expectativa da superação dos dissabores
acumulados e a projeção de tempos mais tranquilos.
Ao fazer essa rotineira “retrospectiva” ao fim de 2012, vejo que o ano foi de
muito embate na vida de minhas ovelhas. Talvez tenha sido um dos anos em que mais
visitei hospitais, dando assistência pastoral a inúmeros irmãos que padeceram em
virtude de doenças, algumas muito graves. Outros sofreram em 2012 a perda de
pessoas amadas, as quais partiram deixando um grande vazio em seus corações.
Muitos receberam nosso auxílio porque sofreram em virtude de problemas familiares.
Outros, ainda, tiveram um ano muito difícil em sua vida profissional.
Tendo em vista tantas adversidades, faz sentido esperar que 2013 seja feliz? Se
olharmos a partir da perspectiva humana, sem dúvida, não faz qualquer sentido. Uma
nova folhinha não faz uma enfermidade desaparecer. Desencontros familiares e
problemas financeiros não se resolvem com a passagem de dezembro para janeiro.
Todavia, graças a Deus, a perspectiva humana não é a única maneira de ver as coisas.
A Palavra nos encoraja a interpretar a realidade a partir da ótica de nosso Eterno e
Soberano Senhor.
A Escritura nos ensina que sofrimentos iguais aos nossos são compartilhados
por nossa irmandade espalhada pela face da Terra (1Pe 5.8), por isso, não devemos
estranhar as provações, pelo contrário, devemos nos alegrar em nos unir ao nosso
Senhor Jesus em sofrimentos semelhantes aos dele (1Pe 4.12s). Ela nos admoesta a
nos alegrarmos em meio às provações, uma vez que a provação de nossa fé, uma vez
confirmada, produz perseverança, que tem ação completa para nos tornar íntegros e
perfeitos, em nada deficientes (Tg 1.3s). Assim, apesar das provações, devemos sim
nos alegrar, não pelo fato de um novo ano se iniciar, mas porque o Deus Eterno, o
Soberano Senhor de nossas vidas, nos ama, tendo um bom propósito para cada
circunstância que nos alcançou no passado, nos desafia no presente e que certamente
redundará em bênçãos no futuro. Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem
daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito (Rm
8.28); em todas as coisas, somos mais que vencedores por meio daquele que nos
amou (v. 37).
Minha palavra para você, querido irmão, que começa o ano em meio a muita
luta: não tenha medo! Olhando as coisas pela perspectiva de Deus, desejo a você não
um lacônico “feliz 2013”. Desejo, na verdade, um ano repleto da alegria do Senhor,
que é a nossa força, da graça de Deus, que é melhor que a vida, e da paz de Jesus, que
excede todo o entendimento. Que assim o Senhor Deus abençoe a cada um de vocês.

davi

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Pais super poderosos

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No inicio do novo ano me vi pensando em formas de ajudar meus filhos a estarem mais perto de Deus. Soa até presunçoso achar que meu marido e eu, como pais, podemos fazer isso. Mas quando eu falo “estar mais perto de Deus” não quero dizer que desejo que saibam mais histórias da Bíblia, que sejam mais obedientes, que conheçam mais respostas do catecismo e outras coisas do tipo, apesar disso tudo ter sua vital importância. Falo do desejo que tenho que o cristianismo seja algo que eles experimentem no dia a dia, que os influencie na hora de agir, que seja a esperança que tenham cada manhã.

O mês está na metade e eu continuo pensando em como fazer isso. Sim, porque eu realmente acho que os pais tem esse poder de influência. É só mais um de nossos super poderes. E continuo pensando… Certamente as histórias que contamos, as orações que fazemos, os conselhos dados ao pé do ouvido vão servir como base para que nossos filhos entendam melhor quem é Deus e creiam nele. Mas eu queria algo além disso. No fundo, se eu for honesta, queria poder transportar minha experiência espiritual para seus pequenos e teimosos corações. Queria garantir, de alguma forma, que o cristianismo para eles fosse algo real, e não apenas uma tradição.

E hoje, enquanto colocava a menor na cama e tentava fazer uma oração com ela, que foi interrompida por um pedido de água, pensei algumas coisas. Primeiro, que nossos filhos são indivíduos e eu preciso aceitar que terão experiências com o sagrado diferentes das minhas,  assim como a minha experiência religiosa foi diferente da dos meus pais e isso é esperado que aconteça justamente pelo fato de sermos únicos.

Em segundo lugar, que nossa família, longe de ser aquela do comercial de margarina, é composta por humanos. Pessoas que erram, que acertam, que machucam, que perdoam, que ficam tristes, ansiosas, mas acima de tudo, pessoas que se amam.  E que se nossos filhos vivenciarem a realidade e dureza da vida com a certeza de que são amados e que esse amor flui de Deus para todos nós, teremos feito muito. Que a religião seja autêntica. Vivida mais do que falada. Que haja espaço para questionamentos para que a fé que se forma seja consciente, e não uma mera reprodução de costumes. Será importante, neste caso, sermos humildes, sinceros, benevolentes e piedosos. Reconhecer nossos erros, pedir perdão e às vezes nos despirmos da nossa roupa de super-heróis para admitir o cansaço, a tristeza, a preocupação mas, ainda assim, passarmos para eles a nossa esperança em Cristo.

E, em último lugar, pensei que apesar de termos recebido a missão de educar e instruir nossos filhos no caminho da luz, a salvação deles não virá por um modo diferente da nossa. É pela graça de Deus. E se é assim, melhor confiar nos poderes do alto. Fazer tudo que estiver ao nosso alcance, claro. Mas, sabendo que somente o Espírito poderá fazer com que a semente plantada dê bons frutos. Que esta seja a nossa oração.

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Diferentes maneiras de discipular

Temos aprendido que discipulado é um relacionamento de ensino e aprendizado a respeito da Verdade revelada por Deus em Sua Palavra. Vimos que tal relacionamento deve ser buscado por todo cristão, seja para aprender, seja para ensinar. Por fim, resta-nos refletir sobre duas diferentes maneiras por meio das quais o discipulado é posto em prática por Jesus.
Evidentemente, Jesus se valeu muito do método cristão tradicional de ensino: a pregação. Vemos registradas nos evangelhos maravilhosas preleções proferidas por Jesus, sendo a mais conhecida delas o famoso “Sermão do Monte” (Mt 5 a 7), ouvido por multidões, mas endereçado aos DISCÍPULOS.
Tal método evidente sempre foi valorizado por igrejas saudáveis; parece salientar o óbvio, mas devemos ressaltar que vivemos em uma época avessa à reflexão e impaciente para ouvir. Recursos modernos e dinâmicos podem auxiliar o aprendizado, mas não se pode perder de vista que nossa fé vem pela PREGAÇÃO da Palavra de Cristo (Rm 10.17,18) e que aprouve a Deus que os que crêem fossem salvos pela “loucura” da PREGAÇÃO (1Co 1.21). Igrejas saudáveis, portanto, tratarão como assunto de primeira prioridade a excelência do ensino cristão. Farão isso simplesmente porque quando a Igreja expõe a Palavra com fidelidade e compromisso, DEUS SALVA PECADORES instilando a fé em Cristo em seus corações. A maneira mais óbvia de discipular – e ainda sim tão negligenciada em nossos dias – portanto, é por meio da pregação e do ensino, em todos os ajuntamentos da Igreja (EBD, cultos dominicais, reuniões semanais etc.).
Mas Jesus investia ainda em outra maneira de discipular: o CONVÍVIO. O objetivo era o mesmo: ensinar os discípulos. Apenas a maneira de fazê-lo é que diferia. Jesus não discipulava apenas por meio de aulas e sermões formais. Ele ensinava seus discípulos enquanto estavam juntos navegando pelo mar da Galiléia, realizando uma pescaria, ao repartirem uma refeição, ao caminharem pela cidade. Cenas do cotidiano – como uma figueira que não frutificava – eram usadas como ilustrações. Comentários banais – “Senhor, que pedras, que construções!” – não passavam despercebidos… tudo servia como oportunidade para ministrar a Palavra de Deus! Assim, Jesus discipulava CONVIVENDO, ao nutrir com seus discípulos um relacionamento de amizade e confiança. O dia a dia era tão eficaz quanto o “púlpito”.
Gostaria que você levasse a sério a questão do discipulado. Você sente que precisa aprender? Reflita sobre as oportunidades de aprendizado da Palavra que sua Igreja tem proporcionado a você e não as negligencie. Você é um cristão maduro? Então FORME UM DISCÍPULO! Talvez você não se sinta preparado para pregar ou ensinar, mas certamente poderá servir de exemplo a alguém mais novo na fé, convivendo amorosamente com um irmão que precisa crescer no conhecimento da Palavra.
Que ser um discípulo fiel de Jesus – no aprender e no ensinar – seja um anseio profundo do seu coração e que, ao colocar o discipulado em prática, Deus seja glorificado por intermédio de sua vida. Amém!
 
davi
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